Nesta última aventura do Rancho Praias de Portugal, tive a oportunidade de embarcar numa viagem de dois dias com um grupo de 44 pessoas — um misto de membros do rancho e familiares acompanhantes. O rancho partiu do Clube Portugal de Montréal no sábado, dia 3 de outubro, pelas 7h00, a caminho do Santoinho de Toronto.
O nosso autocarro, muito confortável, parecia dividido em três secções bem distintas: a rapaziada mais nova viajava ao fundo, as filas da frente eram ocupadas pelos membros mais idosos do rancho, enquanto eu e alguns colegas ficámos instalados no meio, entre as duas gerações. Algumas horas mais tarde, fizemos uma paragem numa área de serviço para comer uma boa sandes ao ar livre, uma tradição bem portuguesa.
Já no autocarro, o ambiente era de festa: o som contagiante dos acordeões e as gargalhadas dos jovens, concentrados a jogar às cartas, animavam a viagem. Entretanto, o som das castanholas do Tiago Gonçalves, o ensaiador, juntou-se à animação e despertou ainda mais o espírito festivo. Foi neste clima de boa disposição que a nossa guia, Carla Oliveira, diretora do rancho, tomou a palavra para apresentar o programa para o resto do dia.
Finalmente, ao chegarmos à sala de festas em Etobicoke, fomos recebidos por Joshua de Jesus e pelos organizadores da festa, que já nos esperavam com o almoço e um bom vinho português. Voltámos depois ao autocarro para um curto percurso até ao hotel, a fim de fazermos o check-in e nos prepararmos para a grande festa da noite: o Santoinho de Toronto, considerado o maior arraial minhoto do Canadá.

Quando regressámos ao recinto do Santoinho, a festa já tinha começado. A sala, com mais de mil pessoas, oferecia um cenário impressionante. Começaram então os últimos preparativos para vestir os trajes do rancho: as dançarinas foram à casa de banho para os últimos retoques — no cabelo, na maquilhagem, nas joias tradicionais e no lenço —, enquanto os dançarinos colocavam as faixas vermelhas, sem esquecer os chapéus pretos.
A festa estava em plena efervescência! A animação começou com o grupo de bombos «Os Alegres», da ACMT, seguindo-se o malhar do milho e a roda do Santoinho, acompanhados pelos músicos de concertina. Por fim, chegou o momento dos ranchos: o convidado, Praias de Portugal, e o anfitrião, o Rancho Folclórico da Associação Cultural do Minho.
A seguir ao jantar, alguns membros do rancho, já cansados da longa viagem de sete horas, regressaram ao hotel. Mas nós, juntamente com a rapaziada mais nova, estávamos prontos para conquistar a pista de dança ao ritmo do Grupo Kalhambeke, vindo diretamente de Portugal para animar o Santoinho. Graças à animação de Nuno Pacheco, noite dentro, foi dançar até cair! O Gabriel e a Raquel, o seu par, lideraram um grupo de dançarinos no qual também participei. Dançámos um vira durante mais de meia hora: foi uma verdadeira loucura! Uma noite de arromba, do princípio ao fim!
No dia seguinte, levantámo-nos com alguma dificuldade, pois estava na hora de regressar a Montreal e tínhamos sete horas de viagem pela frente. Após um pequeno-almoço bastante generoso, voltámos a subir para o autocarro. Ao longo do regresso, fizemos duas paragens, mas a última, no The Big Apple, foi a mais interessante. O local é conhecido por albergar a maior estrutura do mundo em forma de maçã e pelas suas deliciosas tartes de maçã.
Durante a viagem, os jovens dançarinos aproveitaram para ver os vídeos das suas atuações, comentando o que tinha corrido bem e o que poderia ser melhorado. A Leila e a Melissa ficaram muito surpreendidas com a qualidade das filmagens amadoras que fiz! Por fim, o Duarte pôs algumas músicas antigas a tocar e a rapaziada começou a cantar em coro.
E assim chegámos a Montreal: cansados, mas muito satisfeitos com esta aventura. Foram dois dias de convívio, amizade, música e tradição portuguesa, que demonstraram, uma vez mais, a força do folclore e o entusiasmo das novas gerações em manter vivas as nossas raízes, mesmo longe de Portugal.
