No passado dia 3 de outubro, tive o grande privilégio de participar pela primeira vez, na minha vida, no Santoinho de Toronto, organizado pela Associação Cultural do Minho de Toronto. Posso dizer, com sinceridade, que foi uma experiência inesquecível e surpreendente, que espero repetir. Mas, afinal, o que é o Santoinho?
Criado em maio de 1972 pelo dinâmico empresário do setor do turismo e dos transportes, António Cunha, o Santoinho nasceu na antiga quinta da sua família, em Darque, Viana do Castelo, com o objetivo inovador de reunir, num único espaço, o autêntico espírito minhoto. Inicialmente idealizado como uma festa de verão chamada «By Night», destinada aos turistas, o projeto rapidamente ganhou raízes e se transformou no maior e mais típico arraial minhoto de Portugal. Concebido para que os visitantes pudessem participar ativamente nas tradições locais, o Santoinho conjuga, de forma festiva, a rica gastronomia da região com o folclore, as concertinas e as danças populares. Hoje, depois de ter recebido milhões de visitantes, o espaço evoluiu para um autêntico guardião do património, através da Fundação Santoinho, que alberga museus etnográficos e de transportes antigos, preservando a alma e a identidade do Alto Minho.
Em Toronto, o grande arraial minhoto desenrolou-se em dois momentos distintos, cuidadosamente organizados. As primeiras horas foram dedicadas ao farto jantar tradicional — sardinhas, caldo verde, bifanas, broa e o famoso champarrião —, enquanto a animação arrancou com a participação do grupo de bombos da ACMT, os Alegres. Seguiu-se a tradicional malhada do milho, uma atuação de concertinas e, por fim, as atuações do Rancho Folclórico Praias de Portugal, de Montreal, e do Rancho Folclórico da Associação Cultural do Minho, encerrando-se a noite ao som das marchas populares.
A animação da festa ficou a cargo de um grupo vindo de Portugal, os Kalhambeke, que proporcionaram um espetáculo verdadeiramente memorável. Eu, uma moça vinda da «terra dos conjuntos», há anos que não tinha a oportunidade de assistir a uma animação com tanta energia e tanta presença em palco. Os músicos animaram todos os cantos da sala: o palco, a pista de dança, as mesas e até os espaços entre elas. Foi, realmente, uma prestação difícil de descrever por palavras.
O Santoinho impressionou-me pela excelente organização de um jantar servido a mais de mil pessoas. A comida tradicional estava excelente, os pastéis de nata chegaram ainda quentinhos e não faltou absolutamente nada. Além disso, o orgulho e a alegria de ser português sentiam-se de forma palpável por toda a sala.
Não posso deixar de vos desafiar a participar no próximo Santoinho. Se ainda não o fizeram, não percam esta oportunidade: é uma experiência que vale verdadeiramente a pena viver!
O Maior Arraial Minhoto do Canadá
