Entre Notas de Jazz e Aventuras Urbanas

Aqui em Montreal, a arte, a música e a vida urbana não param, e ainda bem. O Festival Internacional de Jazz de Montreal (FIJM), apresentado pelo Grupo TD Bank, em colaboração com a Rio Tinto, destaca este ano as contribuições excecionais para a música de Patrick Watson, Christian McBride, KOKOROKO, Cécile McLorin Salvant, Najib Fenaoui e Diana Krall. Estes artistas receberão os prestigiados prémios Espírito do Festival Internacional de Jazz de Montreal, Miles Davis, António Carlos Jobim, Ella Fitzgerald e Oliver Jones, respetivamente, na 46.ª edição do Festival.
A Academia também celebrará o centenário do nascimento de John Coltrane de uma forma única, com uma exclusividade mundial. Em parceria com Ken Druker, da Verve Records, o público será convidado a assistir a uma apresentação exclusiva de excertos do novo álbum The Mythical Tiberi Tapes, com lançamento previsto para setembro. Este álbum reúne gravações inéditas de Coltrane do início da década de 1960. Será, sem dúvida, um acontecimento imperdível.
O mundo passou a reconhecer A Love Supreme como um clássico intemporal — não apenas a obra mais conhecida de Coltrane, mas também um dos álbuns de jazz mais importantes e influentes de todos os tempos. Com o seu Classic Quartet, composto pelo pianista McCoy Tyner, o baixista Jimmy Garrison e o baterista Elvin Jones, A Love Supreme é uma das interpretações musicais mais autênticas alguma vez gravadas. A sua beleza e profundidade permanecem intemporais. Ao celebrar-se o centenário do nascimento de Coltrane, em 2026, esta gravação histórica continua a emocionar novas gerações, sendo apresentada no Centro PHI numa mistura sonora Dolby Atmos imersiva, que lhe confere uma nova profundidade e dimensão ao seu poder espiritual. Habitat Sonore: A Love Supreme, de John Coltrane, estará em exibição no Centro PHI de 10 de junho a 13 de setembro.
Não faltam maneiras de parar e aproveitar o momento. Mas também é preciso encontrar tempo para enfrentar as vagas e as tempestades da vida, que tanto pode começar como terminar de um momento para o outro, dando lugar ao fim ou ao princípio de algo especial… ou terrível.
Na semana passada, o grupo Angine de Poitrine animou uma multidão recorde na Place des Arts, a 27 de junho. A última vez que aquele espaço recebeu tanta gente foi em 2009, quando Stevie Wonder ali atuou. Muitas pessoas ficaram sem conseguir sair logo após o espetáculo, mas acredito que, tal como eu, ninguém se arrependeu. O grupo local, cujos elementos se apresentam vestidos com fatos às bolas pretas e brancas, não canta em inglês nem em português, mas leva o público a vibrar com toques de guitarra únicos que encantam jovens e pessoas de todas as idades. Cheguei até a ver um homem com um cãozinho branco ao colo! Imaginem!
Esta semana, Patrick Watson atua na sexta-feira, dia 3 de julho, no Festival Internacional de Jazz de Montreal. Lá estarei com amigos e um canadiano de olhos azuis, apenas para ouvir uma música de que gosto muito. Depois veremos o que acontece nessa noite de aventura aqui em Montreal e quantas pessoas se juntarão para ouvir este artista, nascido na Califórnia, mas que fez de Montreal a sua casa.
Também no dia 2 de julho, no Le Balcon, onde já vi a talentosa Suzi Silva interpretar o fado, haverá um espetáculo de homenagem a Ella Fitzgerald, uma oportunidade para celebrar a Diva da forma que merece.
Pronto, aqui fica mais uma das muitas aventuras que continuo a saborear e a viver intensamente, caminhando de um lugar clandestino para outro ainda mais misterioso, apenas para compreender o verdadeiro valor do sossego e da paz que se encontram entre o amor e, quem sabe, um arrependimento ou dois…
Ciao, andorinhas livres.