Raros não terão já escutado, nas nossas televisões, as referências aos valores ocidentais. Um tema sobre que vale a pena recordar certa entrevista de Augusto Santos Silva, há uns anos, num qualquer canal televisivo: a democracia possui a enorme superioridade que resulta de consentir até os partidos que a põem em causa e a desconsideram. A verdade, aos poucos, vai-se-nos mostrando completamente diferente.
No tempo que hoje passa por nós, que tivemos o azar de viver, a generalidade das pessoas vive completamente desiludida com a designada democracia. E a causa é simples: sempre em seu nome, o rumo histórico das sociedades vai-se saldando em perda de segurança das pessoas e das suas famílias, ao mesmo tempo que direitos conquistados por serem legítimos anseios vêm sendo sistematicamente postos em causa, acabando mesmo por estar a ser destruídos. E tudo isto em nome da tal dita democracia…
Ora, num dia destes, o Vice-Chanceler e Ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, admitiu vir a ser proibido o partido de Extrema-Direita, Alternativa para a Alemanha, (AfD), defendendo um cordão sanitário por parte dos restantes partidos. Bom, é uma atitude deveras significativa, devendo comparar-se com as tais palavras de Augusto Santos Silva.
Lars Klingbeil, objetivamente, o que realmente disse foi que la démocratie sommes nous. Tentou assegurar, com as suas palavras, que o tal cordão sanitário não visa ganhos políticos, mas sim evitar que a democracia seja destruída. E logo referiu os acontecimentos que se passaram a primeira experiência democrática da Alemanha, no que ficou conhecido por República de Weimar. De um modo simples: Lars Klingbeil reconhece, afinal, que a democracia, para se manter, pode ter de se violar a si mesma. Bom, as pessoas, um pouco por todo o mundo, já se deram conta deste mesmo falhanço.
Como sempre costuma acontecer, o melhor caminho para se pôr, deste modo, uma suspensão nas liberdades ocidentais, nada como o recurso a interpretações (aparentemente) suportadas no Direito. E é o que está a dar-se na Alemanha: um relatório da organização Associação para as Liberdades Civis concluiu que a existência da AfD é inconstitucional. De um modo simples: perante a derrota evidente, a prazo curto, os pré-derrotados, usando o Direito (à sua maneira), proíbem os potenciais vencedores.
Quando alguns académicos, adequadamente apontados como independentes, demonstraram que o AfD está a trabalhar num plano para destruir o Estado de Direito Democrático da Alemanha, percebe-se que na União Europeia não se consegue salientar, publicamente, que isso mesmo está a ser levado a cabo por Donald Trump nos Estados Unidos. No fundo, o cagaço tem um poder enorme…
Claro está que tudo isto tem, no fundo, esta causa simples e já conhecida: a Alemanha tem marcadas eleições regionais em setembro, em dois Estados do Leste, a Saxónia-Anhalt e o Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, sendo que as sondagens apontam que o AfD continua a ganhar terreno, estando mesmo a ameaçar os partidos do Centro-Direita e do Centro-Esquerda. De um modo simples: a democracia, sempre tão excelente, pode bem tornar-se um porra…
Se a tudo isto se juntar a perda crescente de direitos essenciais à dignidade das pessoas – Saúde, Educação e Pensões –, percebe-se que o AfD pode ser olhado com grande receio. De resto, o mesmo se dará, por exemplo, com Leão XIV, se, por acaso, se determinar a referir que o brandir da democracia não pode servir para, em seu nome, baixar a dignidade humana. É uma porra…
Os Valores Ocidentais Aflita, a Alemanha Já Pensa Proibir A Afd
