Uma edição memorável e repleta de sucesso

Há momentos que nos recordam que Portugal não se mede apenas pelas fronteiras do nosso país. Mede-se pelas pessoas, pelas tradições que atravessam oceanos e pelo orgulho que cada emigrante transporta no coração. O 13.º Festival Portugal Internacional de Montreal, realizado nos dias 10, 11 e 12 de julho de 2026, foi precisamente a prova de que a alma portuguesa continua bem viva deste lado do Atlântico.


Muito mais do que um festival, este é um verdadeiro encontro de gerações, onde a música, a gastronomia, o folclore, a cultura e a amizade unem milhares de pessoas em torno das suas raízes. É um espaço onde os mais velhos revivem memórias de Portugal e onde os mais novos descobrem o legado que lhes pertence, garantindo que a identidade portuguesa continua viva em Montreal.
Organizar um evento desta dimensão nunca é tarefa fácil. Durante meses, dezenas de voluntários dedicam incontáveis horas de trabalho para que tudo decorra na perfeição. Sendo um festival ao ar livre, realizado em frente à igreja da Missão Santa Cruz, há sempre um fator impossível de controlar: o tempo. Depois de uma semana marcada por temperaturas extremamente elevadas, a meteorologia acabou por sorrir à organização, proporcionando três dias praticamente perfeitos para celebrar Portugal.
O ambiente vivido ao longo do fim de semana foi simplesmente extraordinário. O aroma das malassadas e dos petiscos tradicionais, os sons da música portuguesa, os trajes coloridos dos ranchos folclóricos e o reencontro de famílias e amigos criaram um cenário inesquecível, demonstrando que a força da comunidade portuguesa continua mais unida do que nunca.
Um dos grandes destaques desta edição foi a transmissão em direto de praticamente todos os espetáculos através do Facebook. Dominique Abreu, da Pixelzoários, realizou um trabalho notável, permitindo que centenas de pessoas impossibilitadas de marcar presença acompanhassem o festival a partir de casa, aproximando ainda mais a comunidade.


A cerimónia de abertura contou com a presença de diversas personalidades e representantes políticos, que fizeram questão de manifestar o seu apoio à comunidade portuguesa. O palco recebeu Marta Raposo, com o espetáculo “Martinha La Fadista”, seguida por P. S. Lucas, vindo diretamente dos Açores. A noite terminou em grande com a atuação de Jonas Lopes, um artista reconhecido pela sua versatilidade, cuja voz e presença em palco conquistaram o público.
O sábado ficou marcado pelo tradicional concurso “Voz do Festival”, um momento sempre aguardado por quem acompanha os novos talentos da comunidade. Cataleya Correia encantou o público com as interpretações de Para Onde Vai o Amor e Ce Monde, enquanto Kenny Tavares Carreiro apresentou duas composições originais, Eu Nasci P’ra Te Amar e Saudade. O vencedor da edição anterior, Bryan Alexandre Melo, voltou ao palco para animar o público com um repertório variado, passando por Wham!, Jorge Ferreira e Starlight. No final, foi Cataleya Correia quem conquistou o título de vencedora da edição de 2026, recebendo uma merecida ovação e troféu.


A noite prosseguiu com o humor contagiante de Steve Melo, que fez rir o recinto do princípio ao fim, seguindo-se a energia da banda norte-americana Eratóxica, que trouxe o melhor do rock português. O encerramento esteve a cargo de DJ George Oliveira e Mário Galego, que fizeram regressar os grandes êxitos das décadas de 80 e 90 e mantiveram a pista cheia até ao final.
O domingo foi igualmente marcado por momentos de enorme significado para a comunidade. O Clube Portugal de Montreal recebeu uma merecida homenagem pelos seus 60 anos de dedicação à promoção da cultura portuguesa, distinção recebida pelo presidente António Moreira. O Festival prestou também tributo aos 70 anos da Associação Portuguesa do Canadá e reconheceu o trabalho contínuo da Associação Saudades da Terra Quebequente, exemplos de instituições que continuam a fortalecer a presença portuguesa no Quebeque.


A tradição ganhou vida com um magnífico desfile de folclore, reunindo o Grupo Folclórico Alegria de Winnipeg, o regresso muito aguardado do Grupo Folclórico e Etnográfico Português de Montreal e ainda o Rancho Folclórico do Clube Portugal e o Rancho Praias de Portugal. Cada dança, cada traje e cada acorde fizeram recordar a riqueza das diferentes regiões do nosso país.
A música continuou com José de Melo, Yami Aloelela e Ritmos do Brasil, proporcionando uma viagem por sonoridades lusófonas e internacionais que conquistaram o público.


Um dos momentos mais aguardados aconteceu com a atuação de Carlos Rosa, uma das mais promissoras revelações da música latina. O jovem artista apresentou temas do seu EP de estreia, lançado em 2025, incluindo Eu Confesso e Só Fazer Amor. Com uma voz envolvente, grande carisma e uma presença em palco contagiante, Carlos Rosa demonstrou porque é apontado como um dos nomes emergentes da nova geração da música latina. Mais uma vez, o Festival Portugal Internacional mostrou que é muito mais do que um evento cultural. É um símbolo da força, da união e do orgulho da comunidade portuguesa em Montreal. É um lugar onde Portugal continua vivo através das suas tradições, da sua música, da sua gastronomia e, sobretudo, das pessoas que recusam deixar morrer as suas raízes.


Uma palavra de profundo reconhecimento é devida à direção da CA, aos patrocinadores, aos artistas, aos técnicos e, sobretudo, aos muitos voluntários que, ano após ano, oferecem o seu tempo e dedicação para tornar possível esta verdadeira festa de Portugal.
Enquanto houver portugueses com orgulho nas suas origens, haverá sempre um Festival Portugal Internacional em Montreal.
É impossível reunir nestas páginas as milhares de fotografias que captei ao longo do fim de semana ou descrever, ao pormenor, tudo o que aconteceu durante o festival. Foram muitos os momentos, as atividades e os espetáculos que deram vida a esta grande celebração. Por isso, deixo apenas um breve retrato dos acontecimentos mais marcantes desta memorável edição. Viva Portugal. Viva a nossa comunidade.
Até para o ano!