Era uma vez um país…


Era uma vez um país à beira-mar plantado. Com longa história, resultado de lutas entre povos invasores e invadidos, firmou-se no amor à liberdade, fé católica e na rude vontade de assumir os seus próprios destinos.
Geração após geração, perseveraram no desenvolvimento do seu país, culminando com gerações que tiveram a visão e o engenho para se atirarem além-mar em busca de novos horizontes, espalhando a fé que abraçavam e o desenvolvimento económico que ambicionavam. Entre erros e acertos, deixaram a sua marca por todos os continentes.
Mas eis que os tempos correm, o mundo progride e pouco a pouco este país perde o comboio do progresso. Entre erros governamentais, lutas fratricidas estéreis e uma incapacidade de criação de uma visão conjunta na sociedade, resvalou a sociedade para uma das mais pobres do continente ao qual pertencia. Esmagado sobre as pesadas responsabilidades assumidas pelos erros cometidos, este pequeno país entrega-se ao cumprimento dos seus deveres sobre pesada severidade. Recomeçando de uma posição bastante debilitada, abre mão do seu império com perdas humanas, materiais e morais consideráveis pela incrustada incapacidade de ler o momento que vive a Humanidade. Mas abre-se uma porta de esperança: o continente ao qual pertence recebe-o no seu seio como membro de uma comunidade unida nos valores do desenvolvimento económico e social. Recebendo ajudas e apoios tal doente convalescente em fisioterapia depois de longa doença debilitante, vai melhorando as condições de seus cidadãos. Infelizmente as gerações que vivem essas melhoras, desde as mais novas às mais idosas, das mais humildes à elite mais qualificada, perdem-se nas facilidades e, tal como o doente que reencontra a saúde, recai nos hábitos que o haviam conduzido à doença, convencido de algum milagre que o livre desta vez das consequências.
Mas os sintomas da anterior doença reaparecem. Mas insiste-se em não ver as causas e persiste-se nos erros. Aliás, importa-se os erros do exterior por se harmonizarem com a qualidade inerente ao país, pois os elementos mais ambiciosos, mais empreendedores, cansados de rumarem contra uma sociedade que não se quer reformar, acabaram por procurar outras paragens para desenvolver as suas vidas. Assim, o doente – este país – continua nos últimos lugares da tabela do seu campeonato, como o doente que não faz o esforço devido para sair do hospital.
Outros doentes chegam, são tratados e entram na senda da recuperação. Não este doente, que necessita constantemente de apoio. Oscilando entre a autocondescendência e o queixume, recusa a aceitar a realidade causa-consequência do seu estado. Infetado pelo populismo crescente de novas tecnologias de comunicação, entrega-se novamente a lutas fratricidas ultrapassadas motivadas pelo imobilismo e provincianismo de seus atores políticos, apoiados por uma sociedade conformada e solidificada em grupos de interesse. Reformar é impossível nessas condições. Progredir é uma utopia. Reconhecem este país?